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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
Tensão alta

Numa noite, acordei muito aflita sem perceber o que se estava a passar. Levantei-me, medi a tensão arterial e estava com 160/91. Comecei a transpirar e o meu marido chamou uma ambulância que me levou para o hospital, tendo chegado lá com 110/70. Isto aconteceu nos dois meses seguintes, até que fui a um cardiologista. Fiz exames e, segundo o médico, tenho um coração excelente.
Porque continuo a ter noites em que acordo com a tensão alta? Tenho 62 anos.

 

O facto das suas subidas tensionais ocorrerem apenas durante a noite, associadas a um despertar brusco, leva-me a suspeitar que possam ser devidas a refluxo gastro esofágico, que ocorra durante o sono e que lhe provoque pequenos períodos de sufocação, dos quais não se lembra ao acordar.

Vale a pena pensar neste diagnóstico caso tenha também, por vezes, azia, indigestão ou a comida lhe venha à boca. Outra hipótese é a apneia obstrutiva do sono. Este problema é devido a um bloqueio temporário das vias aéreas, por perda de tonicidade dos tecidos, com queda temporária do palato, da úvula e da língua sobre a parte posterior da garganta que, ao ficar obstruída, provoca a diminuição dos níveis de oxigenação do organismo.

Durante a noite, enquanto o indivíduo dorme, estas obstruções levam à libertação de várias hormonas, produzidas pelo sistema simpático e pelas supra-renais que aumentam a frequência cardíaca e a tensão arterial. Trata-se de uma contínua reacção de stress responsável por sintomas de fadiga, ressonar, sonolência diurna, perda de memória, cefaleias matinais e acordar com a boca seca. Todas estas hipóteses só poderão ser verdadeiramente consideradas depois de ser discutidas e esclarecidas com o seu médico assistente.


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Publicado por Prof. Manuel Carrageta às 18:04
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Cardiologista


Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia e do Instituto de Cardiologia Preventiva de Almada, é também director do Serviço de Cardiologia do Hospital Garcia de Orta e preside ao Departamento de Formação e Investigação daquela unidade. Especializado em Cardiologia, Medicina Interna e Farmacologia Clínica, já apresentou mais de 300 comunicações escritas e publicou mais de 150 trabalhos científicos.
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